A queda capilar em crianças e adolescentes

Pouco discutida, a perda de cabelos na infância e adolescência existe, merece atenção e pode evoluir se não for combatida corretamente

Se a queda de cabelos em adultos é traumática quando descoberta, em crianças não é diferente, sobretudo em casos onde a perda dos fios é abrupta e se torna severa. O tema ainda é pouco popular. Mas, sim! Crianças e adolescentes também podem enfrentar perdas abruptas e severas de fios. Por isso, o médico e tricologista Dr Ademir Leite Junior alerta quanto a importância de dar atenção a rotina capilar das crianças para não ter uma desagradável surpresa ao perceber as falhas no couro cabeludo, o que é um sinal indiscutível de alerta.

Dr Ademir atua nessa área há mais de vinte anos e afirma que é fato um crescimento da queda capilar em crianças e adolescentes e que é fundamental que os profissionais saibam lidam com esses perfis etários, pois eles trazem particularidades, uma delas é uma certa imaturidade biológica, que afeta diretamente a área capilar e cutânea.

“De uma forma não tão evidente quanto nas mulheres, crianças e adolescentes até seus 14 anos desenvolvem diversos tipos de queda capilar. Percebo que a maioria vinculada ao estresse e cobranças de vida, ansiedade também. Natural que hajam algumas semelhanças causais entre a queda neste perfil etário com a de mulheres, outro público que trato e pesquiso bastante sobre o crescimento dos casos de queda capilar, mas em uma proporção que ainda não é tão importante”, explica Dr Ademir.

Como é o que causa a queda capilar em crianças e adolescentes

Aquela perda de cabelos que se propaga formando falhas circulares é um tipo específico de alopecia, chamada alopecia areata. Existe também a alopecia areata total, onde ocorre a perda de todo o cabelo, e a alopecia areata universal, que implica na perda de todos os pelos do corpo. As causas para o problema podem vir de diversos fatores. Em crianças e jovens, desordens emocionais, traumas físicos ou questões genéticas são opções.

Dr Ademir complementa que “a susceptibilidade a alguns problemas de saúde como infecções, por exemplo, torna as crianças vítimas de casos alopecias do tipo areata e eflúvios, respectivamente. Casos de ansiedade também provocam areata, assim como podem fazer surgir a tricotilomania (mania de arrancar os cabelos), manifestação com incidência crescente nas crianças”.

O tricologista explica ainda que “a alopecia androgenética, calvície, também tem aparecido mais precocemente. Meninas a partir dos 11 anos e meninos após os 13 têm manifestado casos de severidade variada deste problema. Algo que está vinculado com a adrenarca e pubarca, quando hormônios esteróides que atuam na pele passam a interferir no comportamento das raízes capilares. São estes hormônios que estimulam o crescimento dos fios e, em alguns casos, podem causar atrofia dos mesmos, configurando a alopecia androgenética”.

Analisar de forma mais ampla o caso do paciente para indicar no tratamento as melhores abordagens para recuperar a saúde capilar é uma premissa para Dr Ademir. Com anos dedicados aos atendimentos, as pesquisas e na formação de novos tricologistas ele defende que tanto a susceptibilidade quanto hábitos estão provocando uma antecipação etária dos casos de calvície e que, infelizmente, casos de danos de cabelos e couro cabeludo causados pelo uso de químicas capilares em crianças vem aumentando. “Para mim este não é um problema de saúde, mas sim de responsabilidade. Os pais precisam estar cientes que esses procedimentos são prejudiciais e de não permitir que sejam realizados nos pequenos”.

Como é o tratamento da queda capilar em crianças  

Dr Ademir esclarece que “cuidar de crianças com queda capilar é algo que exige muita atenção. Crianças e adolescentes nem sempre podem usar tratamentos semelhantes aos de adultos e precisam ser, eventualmente, tratados em parceria com psicólogos (em especial nos casos de alopecia areata e tricotilomania). As terapias capilares cabem bem na abordagem terapêutica, assim como algumas medicações que devem ser orientadas segundo critérios seguros de posologia. Minha experiência mostra que crianças podem evoluir bem. E, como em quase todos os casos de tricologia, em especial se tiverem seus quadros abordados precocemente”.

Independente do problema, Dr Ademir ressalta a importância do engajamento da família no tratamento. “A família, principalmente pais ou parentes mais próximos, são fundamentais no processo pois ajudam a manter o tratamento em dia e podem contribuir muito para o suporte emocional dos pequenos. Isso é imprescindível em qualquer caso de problema capilar infantil”, finaliza.

Fonte: Blog O Tricologista (http://otricologista.com/)

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