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Câmara debate roubo de cargas em audiência pública

Câmara debate roubo de cargas em audiência pública

Câmara debate roubo de cargas em audiência pública

Deputado Mauricio Neves defende endurecimento das penas de receptação e criação de mecanismos de rastreabilidade de produtos

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados realizou nesta quarta-feira (10) audiência pública com a presença do Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, para discutir medidas de combate ao roubo de cargas nas rodovias brasileiras. O encontro teve como foco o Projeto de Lei nº 1743/2025, de autoria do deputado Mauricio Neves (Progressistas/SP), que propõe regras nacionais para prevenir a receptação de mercadorias furtadas ou roubadas comercializadas no país.

Durante sua participação, Derrite apresentou dados que colocam o Brasil como o segundo país do mundo em registros de roubo de cargas. Para ele, o caminho passa pela união entre os entes federativos. “Integração nacional é mais do que fundamental. O endurecimento da legislação, como propõe este projeto, fortalece a troca de informações entre estados, aumenta a pena para a receptação e, em especial, para os casos de reincidência criminal”, destacou o secretário.

A proposta em discussão estabelece mecanismos de rastreabilidade e identificação de produtos, permitindo que cada item conte com número identificador e código de barras acompanhados desde a produção até a venda ao consumidor final. Segundo Mauricio Neves, a medida busca dar mais transparência às relações comerciais e envolver a própria sociedade civil nesse processo, de forma integrada com as forças de segurança. “Esse código identificador vai permitir rastrear o produto desde a indústria até o comerciante final. Assim, criamos uma ferramenta de controle para coibir quem compra carga roubada e, consequentemente, quem apoia a receptação”, explicou o deputado.

Participaram do debate outras autoridades e representantes de entidades ligadas à segurança pública e ao transporte de cargas, entre eles o Diretor-Geral da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Fernando Souza Oliveira, e dirigentes de entidades como CNT, CNTA, NTC&Logística e ANATC. Também estiveram presentes especialistas em segurança e representantes do setor de transportes.

Em 2024, o Brasil registrou prejuízos superiores a R$ 1 bilhão em mercadorias roubadas no transporte rodoviário. Esse cenário levou as empresas a destinarem até 14% do orçamento para prevenção, rastreamento e seguros, custos que acabaram sendo repassados ao consumidor final.

A audiência pública reuniu diagnósticos e propostas para enfrentar um problema que, além de elevar os preços dos produtos, ameaça a segurança dos caminhoneiros e fortalece financeiramente organizações criminosas. A expectativa é que o debate contribua para aprimorar o texto do projeto de lei e ampliar o engajamento das instituições públicas e privadas no enfrentamento ao roubo de cargas.

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