Ícone do site Estação Litoral SP

Pescadores do Litoral Norte reivindicam territórios durante audiência da Alesp, em Caraguatatuba

Pescadores do Litoral Norte reivindicam territórios durante audiência da Alesp, em Caraguatatuba

Pescadores do Litoral Norte reivindicam territórios durante audiência da Alesp, em Caraguatatuba

Reunião promovida pela Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento ouviu principais demandas da Região Metropolitana do Vale do Paraíba

Diferentes grupos de pescadores de cidades do Litoral Norte ocuparam a tribuna da audiência pública do Orçamento promovida Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, nesta sexta-feira (26), em Caraguatatuba, para reivindicar a demarcação de territórios pesqueiros na região.
 

Organizada pela Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento da Alesp, a 22ª audiência do ano ouviu as principais demandas da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte. O destaque da reunião ficou com a presença maciça de representantes da comunidade pesqueira local.
 

O presidente da Associação Vila da Mata, Gil Soares, abordou a necessidade de preservação das comunidades caiçaras que residem no Parque Estadual Restinga de Bertioga. “São comunidades tradicionais que sempre protegeram a restinga e o litoral. O Orçamento de 2026 precisa contemplar o apoio às comunidades tradicionais, à pesca artesanal, ao turismo comunitário e à cultura caiçara”, afirmou.
 

A pescadora Mislane dos Santos, da comunidade pesqueira do Rio Guaratuba, em Bertioga, falou sobre a perda de áreas dedicadas à pesca na região e reivindicou o olhar do estado para essas comunidades. “A pesca está em extinção. O pescador não consegue pescar se não tiver o seu território pesqueiro”, ressaltou.
 

Representando os trabalhadores de Caraguatatuba, a pescadora Ladisla Crispino Santos denunciou as más condições do Entreposto de Pesca do Porto Novo, responsável pelo recebimento e comércio do pescado na cidade. “Há quase 20 anos o nosso entreposto não é reformado. Precisamos de uma cozinha comunitária, arrumar o nosso píer, nosso estaleiro, instalações elétricas e não temos condições para fazer isso”, disse.
 

No mesmo sentido, o secretário de Pesca e Agricultura de Caraguatatuba, Leandro Herrera, solicitou recursos no Orçamento estadual para a reforma do Mercado de Peixe do município. “É um mercado com mais de 35 anos e que nunca teve uma manutenção significativa. Hoje, o mercado atende uma frota de embarcações que desempenha um papel social crucial no município. Temos uma comunidade muito abrangente que depende desse mercado”, afirmou.
 

Social

Moradores de municípios de todo o Vale do Paraíba participaram da audiência desta sexta-feira e apresentaram as mais diversas demandas da região, que foram desde a Saúde e a Assistência Social, até Habitação, regularização fundiária e contenção de encostas.
 

Integrante da TV Comunitária Rede Cidade de Taubaté, Mariane dos Santos abordou a cultura e a ação da qual faz parte. “O nosso ponto de cultura consegue movimentar mais de 3 mil jovens, fortalecendo a economia criativa de Taubaté e do Vale do Paraíba”, disse. “Fazemos festivais com artistas da cultura popular e da cultura local. Além de promover lazer e cultura, promovemos o social da nossa cidade”, completou.
 

Já a representante da associação SOS Obras Sociais de Pindamonhangaba, Nelbe de Novaes, pediu um olhar dos parlamentares para a população em situação de rua. “Atendemos uma população de 30 mil pessoas por ano com refeições diárias, passagem, banho, pernoites e doações. Há 60 anos, a nossa instituição favorece não só os munícipes de Pindamonhangaba, mas todos os cidadãos do Vale do Paraíba”, destacou.
 

Participação da comissão

Como parte dos recursos próprios que a Comissão de Finanças da Alesp dispõe na Lei Orçamentária Anual, o presidente do colegiado, deputado Gilmaci Santos (Republicanos) anunciou a destinação de recursos para seis municípios da região. Paraibuna, Ubatuba, Jambeiro, Taubaté e Bertioga serão beneficiados com R$ 100 mil e, Caraguatatuba, com R$ 200 mil.
 

A medida – que ressalta o dinamismo, comprometimento com a população e importância das audiências públicas a cada ano que passa – tem a chancela do presidente do Parlamento Paulista, o deputado André do Prado. Os valores serão votados ao final do ano pelo Plenário da Alesp e repassados oficialmente em 2026. Os deputados Luiz Claudio Marcolino (PT) e Enio Tatto (PT) também participaram da audiência.
 

O Orçamento

Entre os meses de agosto, setembro e outubro, os deputados integrantes da Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento da Alesp viajarão 30 cidades de diferentes regiões do Estado para consultar, diretamente com os cidadãos, quais são as principais demandas dos municípios paulistas.
 

Todo o trabalho produzido durante esses encontros será incorporado à Lei Orçamentária Anual (LOA). Esse documento prevê a arrecadação estadual e fixa as despesas do ano seguinte. Dessa forma, é o instrumento pelo qual são previstos e planejados os investimentos em diversas áreas, como Saúde, Educação, Segurança Pública, entre outras.

Sair da versão mobile