Saiba como são algumas das fobias mais raras e incomuns

O medo é a resposta bioquímica do nosso corpo frente ao perigo e envolve sudorese, aumento da frequência cardíaca e níveis elevados de adrenalina. É um sinal que o organismo dá para que consigamos fugir ou lutar contra esse perigo. A resposta emocional ao medo depende do indivíduo. Alguns se sentem bem com a adrenalina produzida diante de situações perigosas. Outros, entretanto, evitam esses episódios a qualquer custo.

Mas, e quando o medo passa do limite e se transforma em doença? “A fobia é um transtorno de ansiedade, classificado como transtorno fóbico-ansioso no CID 10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde). A condição já atinge cerca de 20% da população mundial, segundo o Instituto Nacional de Saúde Americano”, afirma Elaine Di Sarno, psicóloga, mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Neuropsicologia pelo IPq (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP).

Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiatra Americana (DSM-IV), as fobias específicas são o tipo mais comum de transtorno de ansiedade. “Pessoas que têm uma fobia específica evitam as situações ou os objetos que irão desencadear esse medo quase irracional, que gera angústia, ansiedade extrema e até ataque de pânico”, diz Elaine.

Além das fobias conhecidas por muitos, como a fobia social e a claustrofobia, existem também fobias bastante incomuns e raras. Conheça 7 delas:

Crematofobia
É difícil entender que, no mundo de hoje, haja pessoas com medo de dinheiro. Mas ele existe e atende pelo nome de crematofobia. O transtorno envolve o pavor de tocar em dinheiro, simplesmente porque parece sujo, cheio de bactérias ou causador de doenças.

“Em outros casos, o assunto é mais enigmático. A rejeição é tão grande que a pessoa motiva ações inconscientes para perder ou não ganhar dinheiro. É o que acontece, por exemplo, quando ela realiza investimentos cuja perda financeira já era totalmente previsível”, explica Elaine Di Sarno.

Catisofobia
Embora pareça difícil de acreditar, há pessoas que têm medo do simples ato de se sentar. É o que se chama de catisofobia. Quem tem este problema chega a transpirar, tremer e até sente a respiração alterada quando vê uma cadeira em que precisa se sentar.

Segundo a psicóloga, geralmente, esta fobia é uma manifestação de estresse pós-traumático. “O que está por trás disso costuma ser uma experiência dolorosa e assustadora. Por exemplo, quando criança, a pessoa era castigada ao ser obrigada a se sentar durante muito tempo ou em condições aterradoras. Ou passou por um episódio de tortura ou de profunda dor emocional, enquanto estava sentada em uma cadeira”.

Hexacosioi-hexeconta-hexafobia
Também conhecida como thrihexafobia, o medo extremo envolve o número 666. Tudo que esteja relacionado a esse número, direta ou indiretamente, causa uma apreensão difícil de controlar. É parecido com o que acontece com muitas pessoas em relação ao número 13.

Na Bíblia, o número 666 é associado à “besta”. Por isso, os fóbicos acreditam que ele anuncia calamidades e desastres. Quando essas pessoas veem o número na placa de um carro ou na conta do supermercado, por exemplo, entram em pânico. Um dos hexacosioi-hexeconta-hexafóbicos mais famosos é Ronald Wilson Reagan, cujo nome, ironicamente, é composto por três palavras de seis letras cada.

Anemofobia
É o medo irracional de vento. A fobia prejudica seriamente as atividades cotidianas, pois a pessoa afetada pode ser confinada em sua própria casa para evitar o vento da rua. Muitas vezes, esses indivíduos antecipam consequências irracionalmente catastróficas do fenômeno climático, como uma árvore cair em cima de alguém devido a uma forte rajada de vento.

“A fobia não afeta a pessoa apenas quando ela sai. Só de ouvir o barulho do vento pelas janelas, ainda que fechadas, ela sente intensa ansiedade, náusea, dor de cabeça, pensamentos negativos, aceleração do pulso e sensação de asfixia”.

Clinofobia
O medo de ir para a cama é uma das fobias com mais variações que existem, pois ele nasce de fontes muito diferentes. Algumas pessoas acreditam que ao deitar na cama para dormir, podem morrer durante o sono. Curiosamente, elas não sentem o mesmo medo se dormirem em uma cadeira ou um sofá.

Há quem acredite que o escuro e as cobertas podem esconder algum demônio, enquanto outras sentem que se deitarem na cama, deixarão de controlar seus esfíncteres (localizados nas aberturas de cavidades como a boca, a bexiga, o ânus ou a vagina, têm a função de reter e liberar o conteúdo de um órgão). Obviamente, quase todos os clinofóbicos têm problemas de insônia, já que, no momento de deitar, se tornam presas fáceis para a ansiedade.

Hipopotomonstrosesquipedaliofobia
Ironicamente, essa fobia consiste no medo de palavras grandes e estranhas. “Neste caso, o pavor não vem das palavras em si, mas do fato de não entender ou não conseguir pronunciar corretamente as palavras. O que está por trás deste medo é a vergonha, sendo esta uma fobia associada à timidez”, aponta Elaine Di Sarno.

Ablutofobia
Enquanto algumas pessoas têm medo de sujeira, os ablutofóbicos têm pânico de água e sabão. Em situações mais extremas, passam meses e até anos sem tomar banho. Elas sentem que a água e o sabão podem deixá-las doentes. Também acham possível o afogamento embaixo do chuveiro, enquanto outras sentem medo de estar úmidas. Normalmente, essa fobia é gerada por uma experiência traumática associada à limpeza.

“Como qualquer doença, a fobia precisa ser levada a sério e tratada. As técnicas incluem desde medicamentos até terapias específicas, como a Terapia Cognitiva Comportamental, usada em diversos tipos de fobias, ajudando o paciente a vencer o problema gradativamente”, sinaliza Elaine Di Sarno.

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