3º Festival Abril para Dança apresenta dez espetáculos gratuitos

Evento entre os dias 22 e 28 de abril acontece em diversos espaços da cidade e recebe companhias brasileiras e internacionais

O Festival Abril Para Dança chega à sua terceira edição e apresenta dez espetáculos. Com o tema “Dança em Diálogo”, o evento ocorre entre os dias 22 e 28 de abril em diversos espaços da cidade, promovendo o encontro dessa arte com outras linguagens artísticas – todas as atrações são gratuitas.

A programação inclui as estreias de “aTEMPOral”, e “Afeto, Capítulo 1, Lorca”; os inéditos no Brasil: “Sinestesia”, da Espanha, e “Vistas I e II”, da Argentina; e a primeira apresentação em São Paulo de “Estou sem Silêncio”, da Quasar Cia. de Dança, de Goiás. A cantora Tulipa Ruiz é convidada da Clarin Cia. de Dança para interpretar, ao vivo, as canções de “Cebola, Cascas de um Todo”. O Balé da Cidade leva ao Auditório Ibirapuera o espetáculo que marcou, em 2018, seus 50 anos: “A Sagração da Primavera”.

Estreias nacionais

Direto da Espanha, o Centro Cultural Olido recebe a estreia nacional de “Sinestesia”, da Iron Skulls Co. O espetáculo mistura hip hop e artes marciais em um cenário pós-apocalíptico. “Esse diálogo é um trabalho de artesanato, no qual, pouco a pouco, ocorre uma dissolução das duas linguagens, que acabam tomando forma no corpo dos dançarinos”, afirma o diretor Adrian Vega. Dentre as referências estéticas do espetáculo, estão a fotografia expressionista, a música eletrônica de Berlim (Alemanha) e os videogames. “O resultado é síntese das inquietudes do coletivo.”

O mundo pós-apocalíptico é apresentado de maneira não muito delineada, deixando as interpretações em aberto, seja pensando em temas políticos ou psicológicos. “Acreditamos que cada um pode identificar essa ideia de apocalipse com suas próprias experiências, que pode ir desde um ponto final a um novo começo – no geral, tudo o que tem a ver com uma mudança de etapa”, conclui Vega.

No Centro Cultural da Penha, ocorre a estreia nacional do espetáculo argentino “Vistas I e II”, que traz o diálogo entre música, tango e dança contemporânea. Apresentada com o apoio do Consulado da Argentina, a coreografia busca criar um caleidoscópio com múltiplos pontos de vista, apesar de ter apenas dois dançarinos no palco. “O movimento é resultante do diálogo entre os corpos e o espaço, sem conotação realista, sendo a combinação de formas, superfícies e contorno de corpos”, afirma a diretora Florencia Olivieri.

Em cena, um músico toca bandoneón, complementando a carga dramática do espetáculo. “A combinação do instrumento com o duo homem-mulher no palco me permite buscar um tango”, explica Florencia. “Este percorrerá o mesmo processo de abstração de toda a obra, sem remeter em momento algum a seus elementos reconhecíveis, tanto como música quanto dança.”

Quasar reinventada

Pela primeira vez, a Quasar Cia. de Dança, de Goiás, traz para São Paulo o espetáculo “Estou sem Silêncio”. No palco do Teatro João Caetano, quatro bailarinas partem da coreografia “Céu na Boca”, do repertório da companhia, para dialogar com a própria história do grupo. “Neste momento que a mulher vem se posicionando diante de tudo e de todos, este exercício de criação se coloca como mais uma humilde possibilidade desta mulher se expressar, de alguma forma, sobre o hoje e sobre ela própria”, explica Henrique Rodovalho, diretor artístico da companhia.

O coreógrafo conta que sempre teve vontade de aprofundar o momento de “Céu na Boca” em que quatro mulheres contracenam, revelando estereótipos femininos. “Mas, desde o princípio, não quis fazer um espetáculo engajado! Acho que existem outras formas eficientes também de expressar essa ideia”, afirma. “Quis muito, a partir de maneiras mais subentendidas e delicadas, colocar essa mulher hoje, com suas forças e fraquezas.”

Flamenco e literatura

No Centro Cultural Olido, a Cia. Ale Kalaf estreia o espetáculo “Afeto, Capítulo 1, Lorca”, coreografia que entrelaça o flamenco à obra do poeta espanhol Federico García Lorca, autor que foi um grande entusiasta desse estilo de dança. “Lorca buscava em suas obras encontrar a si mesmo, e a arte flamenca o ajudava a conseguir; sua relação com o flamenco era total”, conta a diretora Ale, citando obras como “Romancero Gitano” e “Poema del Cante Jondo”. “O universo andaluz está em seus textos, ele admirava este mundo escuro, tenebroso e trágico e o recriava em sua escrita. Tinha um conhecimento poético dessa arte, suas poesias eram flamencas.”

Segundo a diretora, o ponto de contato entre o flamenco e o trabalho de Lorca é a intensidade. “Sua obra, sobretudo seus poemas, assim como a dança flamenca, não se explicam, se sentem – e em sentir está toda a experiência”, conclui.

Outros diálogos

No Teatro Alfredo Mesquita, a Raça Cia. de Dança apresenta “aTEMPOral”. O espetáculo traz duas coreografias, uma de repertório e outra inédita, ambas dialogando com a história do grupo. No Teatro Cacilda Becker, a Clarin Cia. de Dança se une à MPB e convida a cantora Tulipa Ruiz para a apresentação de “Cebola, Cascas de um Todo”. A Trupe Benkady leva ao Teatro Zanoni Ferrite “Sons D’Oeste”, espetáculo que promove o diálogo das danças africanas e brasileiras. Misturando hip hop e candomblé, a Cia. Treme Terra estreia “Anonimato” no Teatro Flávio Império.

Confira a programação completa:

A SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA

Balé da Cidade de São Paulo.
O diretor artístico da companhia, Ismael Ivo, assim descreve a apresentação: “No espetáculo, a beleza proporcionada pela música de Stravinsky se introduz com uma suave chuva de pétalas de rosas. Em seguida, ocorre uma verdadeira tempestade de pétalas, num delírio incessante e incontrolável. Trata-se de uma metáfora e um alarme do desequilíbrio das condições ambientais. A coreografia se encaminha para um ritual coletivo, no qual cada membro se torna um veículo que expressa conflitos contemporâneos, desejos, aspirações, sensualidade e gênero. É o corpo tentando despertar seus instintos primários. Um ritual misterioso que busca a beleza, desejos, sensualidade e aspirações humanas.” 

| Auditório Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque Ibirapuera (portões 1 e 3), Ibirapuera. Zona Sul. | tel. 3629-1075. De 26 e 27, 21h. Dia 28, 19h. 14 anos.

AFETO – CAPÍTULO 1, LORCA
Cia. de Flamenco Ale Kalaf.

O corpo flamenco é barroco, sombrio, mutável, paradoxal, sensível ao jogo entre contenção e excesso, assertividade e mistério, luz e sombra. Corpo pelo qual circulam paixões e afetos, sintetizando contradições próprias da condição humana. O espetáculo aponta para uma relação entre o flamenco com o mundo dos afetos, para “uma experiência consigo e com o outro”.

| Centro Cultural Olido. Av. São João, 473. Próximo das estações República, Anhangabaú e São Bento do metrô. Centro. | tel. 3331-8399 e 3397-0171. Dias 26 e 27, 20h. Dia 28, 19h.


SINESTESIA
Iron Skulls Co.
*estreia nacional (espetáculo da Espanha)

O espetáculo representa um mundo pós-apocalíptico onde, por meio da dança experimental, se forma um grupo de sobreviventes que inicia uma viagem a uma zona segura. Hip hop, acrobacia e dança contemporânea se fundem para criar uma linguagem em que o humano e o animal se unem, convidando o espectador a um jogo de interferências sensoriais.

| Centro Cultural Olido. Av. São João, 473. Próximo das estações República, Anhangabaú e São Bento do metrô. Centro. | tel. 3331-8399 e 3397-0171. Dia 27, 21h. Dia 28, 20h.

VISTAS I E II
*estreia nacional (espetáculo da Argentina)

A obra busca se liberar da reprodução de motivos naturalistas, erradicar todo o ornamental e construir uma forma externa para um mundo interno. Desintegra o espaço concreto e rompe a perspectiva central em uma multiplicidade de pontos de vista. Um quadrado delimita o espaço de ação. Todas as proporções e medidas se remetem a ele por meio da utilização geométrica de seus lados, diagonais, perímetro, subdivisões; sempre em relação aos corpos e suas partes. O corpo e o espaço estabelecem e experimentam uma relação dialética, de tal maneira que o corpo é atravessado pelo espaço e o espaço é construído pelo corpo.

Teatro Martins Penna – Centro Cultural da Penha. Largo do Rosário, 20, Penha. Próximo do Shopping Penha. Zona Leste. | tel. 2295-0401. Dias 26 e 27, 20h. Dia 28, 19h.

SONS D’OESTE
Trupe Benkady.

O espetáculo experimenta timbres da natureza e une diferentes instrumentos de percussão. Proporciona uma conversa entre os ritmos e movimentos tradicionais da cultura africana mandingue, com ênfase nas etnias malinké, baga e sussu, da região da Guiné Conakry, reconhecida mundialmente por seus balés. Na cultura dessa região, a música e a dança fazem parte do cotidiano, com movimentos, cantos e ritmos específicos para cada ocasião social, como batismos, iniciações, casamentos e trabalho no campo.
| Teatro Zanoni Ferrite – Centro Cultural da Vila Formosa. Av. Renata, 163, Vila Formosa. Zona Leste. | tel. 2216-1520. Dias 26 e 27, 20h. Dia 28, 19h.

ESTOU SEM SILÊNCIO

Quasar Cia. de Dança.

*estreia em São Paulo (espetáculo de Goiás)

Diferente de todos os trabalhos apresentados até hoje, a recente obra da companhia reúne um elenco totalmente feminino, com quatro bailarinas em cena. A inspiração surgiu a partir da coreografia “Céu na Boca” (2009), na qual existia um momento bem marcante, lembrado por quem assistiu, em que também quatro bailarinas se apresentavam com uma “personalidade” bem específica. Esta cena tinha um desfecho “natural” dentro da sua própria dramaturgia. A partir desta parte da coreografia, o novo espetáculo procura dar continuidade a essa cena marcante, criando uma obra inédita.

| Teatro João Caetano. Rua Borges Lagoa, 650, Vila Clementino. Próximo da estação Santa Cruz do metrô. Zona Sul. | tel. 5573-3774 e 5549-1744. Dias 26 e 27, 21h. Dia 28, 19h.

ATEMPORAL

Raça Cia. de Dança de SP.

*estreia nacional

“aTEMPOral”, novo espetáculo da companhia assinado por Jhean Allex, brinca com o tempo e homenageia o que é eterno, permanente e contínuo, como o amor e a força feminina. A trilha sonora é composta por canções imortalizadas nas vozes de Elis Regina, Elza Soares, Maria Rita, Marisa Monte, Ana Carolina e Maria Bethânia. Completa o espetáculo a remontagem de “Cartas Brasileiras” (2009), de Roseli Rodrigues, em que cartas de diferentes gerações são transformadas em poesia e dança, provando que o tempo não as afeta. 

| Teatro Alfredo Mesquita. Av. Santos Dumont, 1.770, Santana. Zona Norte. | tel. 2221-3657.  Dias 26 e 27, 21h. Dia 28, 19h.

CEBOLA – CASCAS DE UM TODO
Clarin Cia. de Dança convida Tulipa Ruiz.

O espetáculo faz uma reflexão sobre os tipos de relacionamentos, utilizando a metáfora da cebola que faz alusão às varias camadas do amor. Acompanhado de canções da bossa nova e MPB, interpretadas por Tulipa Ruiz, trilha-se um caminho que busca no íntimo de cada pessoa lembranças de relacionamentos.

| Teatro Cacilda Becker. Rua Tito, 295, Lapa. Zona Oeste. | tel. 3864-4513. Dias 26 e 27, 21h. Dia 28, 19h.


ANONIMATO
Cia. Treme Terra.
*estreia nacional

Espetáculo de dança negra que revela situações do cotidiano brasileiro, bem como aspectos ligados ao soterramento e aniquilamento das memórias negras no seio de uma sociedade eurocentrada, marcada por um histórico secular racista e colonialista. De maneira poética, política e libertária, a obra aborda o genocídio étnico-cultural e suas consequências na vida social urbana e a não visibilidade de mestras e mestres da cultura popular.

| Teatro Flávio Império. R. Prof. Alves Pedroso, 600, Cangaíba. Zona Leste. | tel. 2621-2719.  Dias 26 e 27, 20h. Dia 28, 19h.

Rosas Danst Rosas
Dentre Nós Cia. de Dança.

Em 1983, a coreógrafa belga Anne Teresa De Keersmaeker apresentou “Rosas e Rosas”, uma performance que desde então se tornou referência na história da dança pós-moderna. “Rosas Danst Rosas” se baseia no minimalismo iniciado em “Fase” (1982): os movimentos abstratos constituem a base de uma estrutura coreográfica em camadas, na qual a repetição desempenha o papel principal. A ferocidade desses movimentos é combatida por pequenos gestos cotidianos. “Rosas danst Rosas” é inequivocamente feminino. O esgotamento e perseverança que vêm com ele criam uma tensão emocional que contrasta fortemente com a estrutura rigorosa da coreografia. A música repetitiva e “maximalista” de Thierry De Mey e Peter Vermeersch foi criada concomitantemente à coreografia. Nesta remontagem, a companhia tem como ponto de partida a cidade de São Paulo e busca dialogar com o corpo, o tempo e o espaço, levando para áreas urbanas movimentos e dinâmicas para a cena, interpretados por 15 mulheres. 

Viaduto do CháDias 22 e 23, 12h30. 
Praça da SéDia 24, 12h30.

Avenida PaulistaDias 25 e 26, 12h30.

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