Délio Freire: o criador dos passeios mediados no cemitério da Consolação
Visitas continuam sendo realizadas há mais de 20 anos pelo Popó
Pioneiro nas visitas monitoradas no cemitério da Consolação, o advogado e historiador Délio Freire dos Santos dedicou mais de 30 anos à administração da unidade, transformando o local em um importante espaço de valorização da memória, da arte tumular e da história da cidade de São Paulo. Délio acreditava que os cemitérios guardam muito mais do que histórias de despedidas: são verdadeiros museus a céu aberto.
Entre suas iniciativas de destaque está a exposição sobre história e arte tumular realizada em 2001, no Shopping Light, marco que ampliou a visibilidade turística do Cemitério da Consolação. Foi também por meio de seu trabalho que o então Serviço Funerário Municipal de São Paulo (SFMSP) deu início e incentivo às visitas monitoradas no cemitério da Consolação.

Após seu falecimento, em 2002, Délio foi sepultado no Cemitério da Consolação, deixando um legado que passou a ser conduzido por Francivaldo Almeida Gomes, mais conhecido como Popó. Popó iniciou sua trajetória como sepultador e, nos primeiros anos, acompanhava discretamente as visitas conduzidas pelo professor. “Eu via alguns alunos sendo monitorados pelo professor Délio, e aí eu ia varrendo e me aproximando, escutando tudo o que ele falava”, relembra. Para não esquecer nenhuma dúvida, anotava nas costas das mãos e, ao final do expediente, pesquisava na Biblioteca Mário de Andrade.
Atualmente, o Cemitério da Consolação é administrado pela Consolare, concessionária responsável por sua gestão e pela de outros cinco cemitérios municipais, e mantém o compromisso com a preservação da memória e a valorização da história, dando continuidade às visitas monitoradas.
Os passeio deste ano retornam na próxima segunda-feira (19) e, por enquanto, seguem sendo realizados todas as segundas-feiras, com inscrições abertas pelo Sympla. Essas visitas também podem ser reservadas por escolas, mediante agendamento prévio, levando ao público e aos alunos histórias que ajudam a contar a trajetória da cidade de São Paulo. “Muito do que sei aprendi com o professor Délio. Ele me ensinou que cada túmulo conta uma parte da história da cidade e que nosso papel é garantir que essas histórias não se percam”, afirma Popó.
Mais de duas décadas após sua partida, o legado de Délio Freire segue vivo, inspirando novas gerações e mantendo o Cemitério da Consolação como um ponto de encontro entre arte, memória e história. O trabalho iniciado por ele continua a atrair visitantes e a fortalecer o turismo cemiterial em São Paulo.
Serviço
Passeio mediado no cemitério da Consolação
Monitor: Francivaldo Gomes, conhecido como Popó.
Onde: Rua da Consolação, 1660. Ponto de encontro na Capela.
Quando: às segundas-feiras, a partir das 14h.
Ingressos gratuitos: Sympla
Agendamento para escolas: [email protected]


