Ascensão do uso de medicamentos para emagrecimento impacta a cirurgia plástica

Ascensão do uso de medicamentos para emagrecimento impacta a cirurgia plástica

O uso de medicamentos para emagrecimento cresceu 239% e transformou a rotina nos consultórios de cirurgia plástica.

A ascensão das chamadas “canetas emagrecedoras” mudou o perfil de quem busca a cirurgia plástica. Com um salto de 239% no uso de medicamentos para perda de peso, médicos observam um fenômeno crescente: pacientes que eliminam muitos quilos em curto tempo, mas enfrentam o desafio do excesso de pele e da flacidez.

O novo perfil de paciente

A cirurgiã plástica Dra. Carolina Cescato explica que, hoje, o consultório recebe pessoas que alcançaram a meta do peso, mas não reconhecem o próprio corpo. “O objetivo não é apenas retirar pele, mas adequar o contorno corporal à nova realidade do paciente, respeitando sua saúde e o momento certo para operar”, afirma a especialista.

Diferente de quem passa por cirurgia bariátrica, o novo perfil de paciente exige uma análise multidisciplinar. A perda de peso rápida pode vir acompanhada de redução de massa muscular e carências nutricionais significativas, o que exige cautela antes de qualquer intervenção cirúrgica.

Quando é o momento certo para operar?

Não existe uma regra baseada apenas no número da balança. Segundo a Dra. Cescato, a segurança do procedimento depende da estabilização do peso. O paciente precisa demonstrar que consegue manter o peso alcançado e estar com os exames laboratoriais em dia.

A avaliação pré-operatória é global. Médicos analisam níveis de proteínas, vitaminas, ferro e o risco de anemia. Além disso, há um ponto crítico: alguns medicamentos de emagrecimento interferem no esvaziamento gástrico, o que exige protocolos específicos durante a anestesia.

Muito além da estética

O excesso de pele após o emagrecimento impacta a qualidade de vida. Além da questão visual, o acúmulo de tecidos pode gerar desconforto físico, limitar a prática de exercícios e interferir até na escolha das roupas.

Para muitos, a cirurgia plástica é vista como a etapa final da transformação. “Eu emagreci, mas ainda não me reconheço”, é uma das frases mais comuns ouvidas pela cirurgiã. O procedimento ajuda a reconstruir a autoestima, garantindo que o resultado final reflita o esforço dedicado durante o tratamento clínico.

Segurança e individualização

Com o avanço dos tratamentos medicamentosos, a abordagem cirúrgica precisou evoluir. Hoje, avalia-se a qualidade dos tecidos, a perda de volume e a necessidade de dividir procedimentos em etapas para garantir a segurança do paciente.

A mensagem principal é clara: a cirurgia plástica pós-emagrecimento deve ser sempre individualizada. O foco deve ser a saúde, o bem-estar e o respeito ao tempo biológico de cada organismo após a perda de peso expressiva.


Veja mais conteúdos em Sampa Plural