Especialista alerta que o medo de complicações e o adiamento da colonoscopia aumentam o risco de diagnóstico tardio do câncer de intestino.
A notificação de uma fatalidade ocorrida em São Paulo devido a complicações em uma colonoscopia gerou apreensão e levou pacientes a adiarem o procedimento. No entanto, médicos alertam que postergar a avaliação até o surgimento de sintomas visíveis, como sangue nas fezes, pode resultar no diagnóstico de tumores já em estágio avançado.
Diretrizes de rastreamento e prevenção
Segundo o médico Fernando Bray, especialista em gastroenterologia cirúrgica e coloproctologia em São Paulo, a colonoscopia é fundamental tanto para investigar sintomas quanto para o rastreio preventivo. Pacientes acima de 40 anos com sintomas intestinais e indivíduos a partir dos 45 anos, mesmo assintomáticos, possuem indicação para o exame.
O objetivo central da medicina preventiva é identificar e remover pólipos adenomatosos antes que se transformem em tumores malignos. Formações dessas lesões estão associadas à predisposição genética e a hábitos como sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e alimentação rica em ultraprocessados.
Índices de segurança e riscos do procedimento
Dados clínicos confirmam que a colonoscopia permanece um método seguro e com baixas taxas de intercorrências. A incidência de perfuração intestinal em exames preventivos de rotina é de apenas 1 a cada 14 mil procedimentos. Em pacientes sintomáticos, o risco é de 1 em 2 mil, e para remoção de pólipos, de 1 a cada 1.250 exames.
Intercorrências como sangramentos e bacteremia são raras e tratáveis por equipes capacitadas. Especialistas reforçam que os benefícios da prevenção do câncer de intestino superam os riscos pontuais e o desconforto temporário da etapa de preparo prévio do exame.

