Maioria acredita em Deus, 88%, e minoria em vida além da morte, 55%

Maioria acredita em Deus, 88%, e minoria em vida além da morte, 55%

Levantamento do Instituto Badra ouviu 1.060 moradores da capital paulista e identificou que quase nove em cada dez acreditam em Deus, mas pouco mais de quatro em cada dez afirmam acreditar na existência de vida após a morte.

O que acontece depois da morte? A pergunta, considerada uma das mais antigas da história da humanidade, foi transformada em objeto de pesquisa pelo Instituto Badra. Em um levantamento inédito realizado entre os dias 3 e 7 de julho de 2026, com 1.060 moradores da cidade de São Paulo, o Instituto investigou como a população paulistana interpreta temas relacionados à espiritualidade, à vida após a morte e ao sobrenatural, revelando um retrato surpreendente das crenças presentes na maior cidade brasileira.

O primeiro dado que chama a atenção é que 55,3% dos entrevistados afirmam não acreditar na existência de vida após a morte, enquanto 41,7% dizem acreditar e apenas 3,0% não souberam responder. Apesar disso, a pesquisa mostra que a crença em Deus permanece amplamente majoritária: 88,7% dos paulistanos afirmam acreditar na existência de Deus, contra apenas 7,9% que não acreditam.

Outro aspecto que desperta interesse é a diversidade das crenças investigadas. Enquanto 65,7% acreditam na existência de anjos e 66,0% acreditam em demônios, apenas 34,3% afirmam acreditar na reencarnação. A pesquisa também identificou que 23,0% acreditam em fantasmas, assombrações ou almas penadas, embora apenas 17,5% afirmem já ter vivenciado alguma experiência dessa natureza.

Depois da morte

Quando questionados sobre o que acontece depois da morte, os entrevistados apresentaram respostas bastante diversificadas. 36,0% acreditam que a pessoa permanece aguardando o Juízo Final, 26,2% entendem que nada acontece além da decomposição do corpo, 17,9% acreditam que a alma segue para o Céu, Purgatório ou Inferno, enquanto 12,8% defendem a reencarnação. Outros 7,0% preferiram não opinar ou disseram não saber responder.

A pesquisa também investigou outras manifestações de espiritualidade e crenças populares. 60,9% afirmam acreditar em mau-olhado, quebranto ou olho gordo, enquanto 31,5% acreditam em bruxaria ou feitiçaria. Já 40,0% dizem possuir alguma superstição.

No universo das práticas esotéricas, 20,6% afirmam consultar o horóscopo com frequência e 23,4% relatam já ter recorrido, pelo menos uma vez na vida, a oráculos como tarô, búzios, runas ou numerologia. Entre aqueles que tiveram esse tipo de experiência, o tarô aparece como a prática considerada mais impactante, seguido pela numerologia e pelos búzios.

Vida extraterrestre?

O levantamento também explorou temas relacionados ao desconhecido fora da tradição religiosa. Apenas 16,2% dos paulistanos acreditam na existência de vida extraterrestre, enquanto 78,3% afirmam não acreditar, revelando um comportamento mais cético quando o tema se desloca da espiritualidade para hipóteses relacionadas ao universo.

Outro resultado que merece destaque diz respeito ao medo da morte. Apesar de o tema ocupar lugar central nas diferentes tradições religiosas, 64,5% afirmam não ter medo de morrer, contra 33,4% que reconhecem sentir esse temor.

Segundo o Instituto Badra, um dos aspectos mais relevantes da pesquisa está justamente na diversidade de respostas encontradas. “Mais do que medir crenças religiosas, o levantamento revela como os paulistanos procuram atribuir significado a uma das maiores perguntas da existência humana. A pesquisa demonstra que fé, espiritualidade, tradição religiosa e experiências pessoais convivem de forma bastante plural na sociedade contemporânea”, destaca o jornalista Maurício Juvenal, consultor em análise de dados da instituição.

O estudo também permite comparar a realidade paulistana com tendências observadas em pesquisas internacionais realizadas por institutos como Pew Research Center, Gallup e Ipsos, que apontam crescimento da espiritualidade individualizada em diferentes partes do mundo, ainda que nem sempre acompanhada de maior vinculação às religiões organizadas.

PRINCIPAIS RESULTADOS

– 88,7% acreditam na existência de Deus;

– 66,0% acreditam em demônios;

– 65,7% acreditam em anjos;

– 60,9% acreditam em mau-olhado;

– 55,3% dizem não acreditar em vida após a morte;

– 41,7% acreditam em vida após a morte;

– 40,0% possuem alguma superstição;

– 34,3% acreditam em reencarnação;

– 31,5% acreditam em bruxaria ou feitiçaria;

– 23,4% já consultaram tarô, búzios, runas ou numerologia;

– 23,0% acreditam em fantasmas;

– 20,6% consultam horóscopo;

– 17,5% afirmam já ter visto fantasmas ou assombrações;

– 16,2% acreditam em vida extraterrestre.

METODOLOGIA

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Badra entre os dias 3 e 7 de julho de 2026, com 1.060 moradores do município de São Paulo, com 16 anos ou mais, utilizando metodologia não probabilística por cotas, respeitando a distribuição religiosa observada pelo Censo Demográfico 2022 do IBGE. As entrevistas foram presenciais, realizadas nas quatro macrorregiões da capital paulista. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de intervalo de confiança.